António Pinheiro

Profissional de marketing, músico e corredor por prazer. Corre na estrada, no monte e de um lado para o outro na vida, atrás e à frente dos filhos.

O futebol não é ténis.

Março 24th, 2025

Sim, sou o pai que grita, esbraceja, perde o controlo.

Sim, sou o pai que fez tarjas, bandeiras, comprou um bombo e canta cânticos de claque.

Sim, sou o pai para quem o futebol é uma festa, é cor e ritmo.

Sim, sou o pai que festeja cada golo como se estivesse na final da Champions.

E não tenho vergonha.

Não insulto as outras equipa, ou o árbitro. 

Não grito “vai que ele falha!”, como vejo muitos treinadores fazerem.

No fim, cumprimento os adversários e conforto os que chegam tristes ou a chorar. Felicito-os quando são os vencedores.

Grito o nome dos nossos meninos. Puxo por eles quando os vejo a desanimar. “A próxima entra! Acredita! Não desistas!”

Aplaudo e vibro com cada corte, defesa, remate, mesmo os que não entram.

E eles gostam. “Ó pai… hoje fizeram pouco barulho…”

A equipa mexe-se ao som da claque. Se murchamos, eles murcham. Se nos empolgamos, eles empolgam-se.

No fim, cantam e saltam connosco.

Vão mais felizes para casa.

Digam-me que isto é mau.

Gosto do silêncio. Tenho muitos momentos de silêncio. 

Mas o futebol não é ténis.

Sou louco? Ridículo? Palhaço?

Assumidamente e orgulhosamente.

Surgiu nos últimos anos uma espécie de “etiqueta” desportiva, que parece querer calar as bancadas. Ficar sentadinhos, de braços cruzados ou mãos nos bolsos e não dizer nada. Sou contra. Totalmente contra.

Querem concentrar no público os problemas do futebol, quando a maior parte deles estão à flor do relvado.

Se todos dentro de campo se portarem bem, o público responde e vice-versa.

É preciso educar o público? Sem dúvida. Mas árbitros, treinadores, dirigentes, também. Principalmente os que lidam com crianças. 

Párem de pôr toda a culpa nos pais. Nós só queremos divertir-nos, que os miúdos se divirtam e não sejam alvo de injustiças.

António Pinheiro

Profissional de marketing, músico e corredor por prazer. Corre na estrada, no monte e de um lado para o outro na vida, atrás e à frente dos filhos.