Não comecem já a torcer no nariz. “Ah… eu não tenho nada a ver com esse gajo…”
Claro que não. Ele é uma personagem única.
Nos últimos dias, têm sido muitas as ondas de choque à triste cena entre Trump e Zelensky na Casa Branca. De facto, só alguém desprovido de qualquer pingo de empatia conseguirá olhar para aquilo e encontrar algum nexo, humor ou sentido.
Mas, quantas vezes já não fomos aquele Trump? No trabalho, na escola, até na família. Quantas vezes as nossas palavras e o tom com que as proferimos feriram, de forma mais ou menos intencional, a dignidade de colegas, subordinados, familiares, amigos?
Quantas vezes fomos rudes, desgradáveis e arrogantes com aqueles que nos rodeiam e, acima de tudo, com aqueles mais deveríamos respeitar e amar?
Punhamos a mão na consciência. Também nós já fomos, por uma vez, aquele rufia, a tentar menorizar, ridicularizar e desacreditar alguém. Alguém que não fez bem o seu trabalho, alguém que não fez o que estávamos à espera, alguém que, simplesmente, errou. E nós decidimos ser polícia, juiz e carrasco, numa sentença aplicada com palavras disparadas ao ritmo da metralha.
“Ah… mas eu tinha um motivo!”
Há sempre um motivo. Mas pode haver sempre empatia. Calçar os sapatos do outro, procurar ter a sua visão do Mundo.
Que o “porque é que ele fez isto?” deixe de ser uma pergunta retórica.
Vamos mesmo perceber, ou tentar perceber. No limite, chegar à conclusão mais nobre: “não concordo, mas compreendo.”
Nesse momento, deixaremos de ser como o Trump e passaremos a ser Humanos.