Sim, sou o pai que grita, esbraceja, perde o controlo.
Sim, sou o pai que fez tarjas, bandeiras, comprou um bombo e canta cânticos de claque.
Sim, sou o pai para quem o futebol é uma festa, é cor e ritmo.
Sim, sou o pai que festeja cada golo como se estivesse na final da Champions.
E não tenho vergonha.
Não insulto as outras equipa, ou o árbitro.
Não grito “vai que ele falha!”, como vejo muitos treinadores fazerem.
No fim, cumprimento os adversários e conforto os que chegam tristes ou a chorar. Felicito-os quando são os vencedores.
Grito o nome dos nossos meninos. Puxo por eles quando os vejo a desanimar. “A próxima entra! Acredita! Não desistas!”
Aplaudo e vibro com cada corte, defesa, remate, mesmo os que não entram.
E eles gostam. “Ó pai… hoje fizeram pouco barulho…”
A equipa mexe-se ao som da claque. Se murchamos, eles murcham. Se nos empolgamos, eles empolgam-se.
No fim, cantam e saltam connosco.
Vão mais felizes para casa.
Digam-me que isto é mau.
Gosto do silêncio. Tenho muitos momentos de silêncio.
Mas o futebol não é ténis.
Sou louco? Ridículo? Palhaço?
Assumidamente e orgulhosamente.
Surgiu nos últimos anos uma espécie de “etiqueta” desportiva, que parece querer calar as bancadas. Ficar sentadinhos, de braços cruzados ou mãos nos bolsos e não dizer nada. Sou contra. Totalmente contra.
Querem concentrar no público os problemas do futebol, quando a maior parte deles estão à flor do relvado.
Se todos dentro de campo se portarem bem, o público responde e vice-versa.
É preciso educar o público? Sem dúvida. Mas árbitros, treinadores, dirigentes, também. Principalmente os que lidam com crianças.
Párem de pôr toda a culpa nos pais. Nós só queremos divertir-nos, que os miúdos se divirtam e não sejam alvo de injustiças.