António Pinheiro

Profissional de marketing, músico e corredor por prazer. Corre na estrada, no monte e de um lado para o outro na vida, atrás e à frente dos filhos.

A Vida é a Arte do Encontro

Julho 28th, 2026

No Domingo passado reencontrei o Martim. Demorei a reconhecê-lo: está grande, com barba, uma figura bem diferente daquela criança que conheci há quase dez anos, em Salreu, agarrado ao clarinete.

Continua agarrado ao clarinete e está um homem feito.

Confessou-me que lê tudo o que escrevo e pediu-me para retomar a minha rúbrica “Clássicos Filarmónicos”.

Disse-lhe que não tenho tempo, nem material. Gentil, compreendeu. Durante toda a conversa que tivemos, mesmo quando abordamos assuntos mais desagradáveis, não largou o sorriso.

Perguntou-me se tinha o meu clarinete comigo. Queria tocar ao meu lado, pelo menos uma obra. “Pela História”…

Quem diria que, tanto tempo depois, a Vida iria dar-me este Encontro.

O meu primeiro Encontro com a Vida do Martim, há quase dez anos, em Salreu, agarrado ao clarinete, foi fugaz. Mas foi o suficiente para deixar uma marca.

Bem-hajas, Martim, e continua atento ao que vou escrevendo. Quem sabe se, mais cedo do que tarde, nos voltaremos a Encontrar.

 

No Mundial… e na Vida

Julho 8th, 2026

Não consigo deixar de olhar para tudo o que se tem passado neste Mundial de Futebol e fazer um paralelismo com o que se passa nas Empresas, nas Famílias, nas Instituições, na Sociedade em geral.

O Futebol coloca-nos perante histórias de superação, de talento, de união… mas também de egos, de protagonismos e de escolhas que nos fazem pensar.

Desde que o meu filho mais novo joga futebol, que lhe repito muitas vezes:

O símbolo que trazes ao peito é sempre maior do que o nome que trazes nas costas.

Ele tem dificuldade em compreender e aceitar, pois vive numa era em que as estrelas estão sempre acima das equipas.

Mas uma camisola representa uma história, uma cultura, pessoas que acreditam naquele símbolo. O nome nas costas representa um indivíduo. E, por muito extraordinário que esse indivíduo seja, nunca poderá ser maior do que aquilo que representa.

Esta é uma lição que o desporto já nos ofereceu, mas que tende a desaparecer. Tristemente.

Nas empresas.

Nas famílias.

Nas escolas.

Nas associações.

Na sociedade.

Vivemos numa época em que o individualismo é frequentemente premiado. A notoriedade parece valer mais do que a contribuição. O “eu” sobrepõe-se demasiadas vezes ao “nós”.

Mas nenhuma equipa vencedora se constrói dessa forma.

As pessoas passam. Mudam de clube, de empresa, de função, de cidade ou de país.

As instituições permanecem.

As equipas permanecem.

Os valores permanecem.

É precisamente por isso que devemos aprender a servir as instituições e não a utilizá-las apenas como palco para o nosso reconhecimento pessoal.

Também é importante recordar outro princípio que tantas vezes esquecemos.

A gratidão é um dos sentimentos mais nobres que podemos cultivar.

Devemos ser gratos a quem nos deu oportunidades, a quem acreditou em nós, a quem nos ajudou a crescer.

Mas a gratidão pelo passado nunca pode impedir o escrutínio do presente.

Reconhecer aquilo que alguém fez ontem não significa fechar os olhos ao que faz hoje.

Nas equipas, nas organizações e na sociedade, a exigência deve existir para todos.

Porque ninguém, por muito competente, experiente ou talentoso que seja, está acima da crítica.

A crítica séria, fundamentada e construtiva não diminui ninguém. Pelo contrário, ajuda-nos a melhorar.

Outro dos grandes ensinamentos do desporto é este:

Os talentos individuais existem para colocar o seu potencial ao serviço da equipa.

Nunca o contrário.

Quando uma equipa passa a trabalhar para alimentar o ego de uma única pessoa, começa inevitavelmente a perder identidade.

O verdadeiro líder não é aquele que brilha sozinho. É aquele que faz os outros crescer.

Talvez seja precisamente aqui que esteja uma das maiores responsabilidades da sociedade atual.

Precisamos de ensinar as nossas crianças que competir não significa esmagar o outro.

Que vencer não exige humilhar quem perde.

Que o sucesso individual só faz verdadeiramente sentido quando contribui para o sucesso coletivo.

Precisamos de formar jovens mais solidários, mais empáticos, mais fraternos.

Jovens capazes de compreender que colaborar vale mais do que dividir, que servir pode ser mais importante do que aparecer e que nenhuma conquista individual supera a força de uma comunidade unida.

O futebol, pela dimensão que ocupa na nossa cultura, tem uma responsabilidade enorme.

Milhões de crianças observam comportamentos, imitam atitudes e escolhem referências através do que veem dentro e fora das quatro linhas.

Por isso, o futebol deve ser muito mais do que um espetáculo.

Deve ser uma escola de valores.

Um exemplo para a sociedade.

Um exemplo para as empresas, onde o espírito de equipa continua a ser decisivo.

Um exemplo para as famílias, onde o respeito, a cooperação e a responsabilidade se aprendem todos os dias.

No Mundial… e na vida… continuaremos sempre a precisar de talento.

Mas precisaremos ainda mais de humildade.

Porque os melhores não são necessariamente aqueles que marcam mais golos.

São aqueles que conseguem fazer com que toda a equipa seja melhor.

E esse será sempre o maior triunfo de qualquer campeão… de qualquer ser Humano.

Aprender o Valor do Nós

Junho 11th, 2026

Chegamos à altura do ano em que os clubes de futebol abrem os treinos de captação para os seus escalões de formação. Aos pais que embarcam nesta viagem, tenho algo para vos dizer, para além de tudo o que já vos disseram:

1º – Tranquem os fins-de-semana nas vossas agendas. A partir de agora, o vosso filho(a) (consequentemente, a vossa Família) tem um compromisso para com uma Instituição. Ele(a) não vos vai perdoar se tiver que faltar a um jogo por vossa culpa.

2º – Mesmo que haja um “compromisso inadiável”, prevejam planos B, C, D, para que a criança consiga ir ao jogo, independentemente do que tiverem que fazer. É sempre possível, há sempre uma solução. Lembrem-se da máxima “quem quer arranja um motivo, quem não quer arranja uma desculpa.”

3º – Lembrem-se que, a partir de agora, a criança representa uma instituição e faz parte de uma equipa.

4º – A gestão da lavandaria doméstica passa a ser em função da necessidade da disponibilidade de equipamentos de treino, jogo e saída. Não é difícil e este material até costuma secar rápido. Que nunca falte uma peça para a criança treinar, ou jogar.

5º – “Há valores que não se compram com dinheiro.” Uma percentagem ínfima de crianças chega um dia a profissional, mas todos podem aprender a Honrar um Símbolo, Trabalhar para uma Equipa, Representar uma Instituição.

 

Em adultos, poderão não ser “Ronaldos” ou “Messis”, mas serão Homens e Mulheres Comprometidos com a Sociedade. 

 

E isto não é apenas sobre futebol, ou Desporto. Aplica-se à Música, ao Ballet, ou a outras atividades onde o Compromisso é a base.

O meu filho mais novo leva 3 anos de prática desportiva, 2 dos quais no futebol. Faltou apenas a um jogo, porque teve uma intervenção cirúrgica no dia anterior. Mesmo assim, convalescente, compareceu no campo para cumprimentar os colegas e o treinador. Das vezes em que não foi convocado, vestiu a roupa do clube e acompanhou os colegas no balneário, antes e depois dos jogos.

Nunca esteve num jogo sem, pelo menos, um dos pais. E, no dia em que os dois não possamos estar (ninguém está livre), ele irá ao jogo na mesma.

Há um ano, o meu filho mais velho comunicou-me que também iria começar a jogar. Sendo ele elemento de uma banda filarmónica, a primeira coisa que lhe disse foi “tudo bem, é óptimo que pratiques Desporto, mas começa já a pensar no que vais fazer quando tiveres atuação em dia de jogo, ou jogo em dia de atuação”.

Em nenhum lado há insubstituíveis, mas quando integramos um coletivo há sempre alguém que depende de nós.

Se “todos” nos queixamos que vivemos numa sociedade, cada vez mais, egoísta, as Coletividades e Associações, sejam de índole Desportivo, Cultural, Solidário, são excelentes locais para os Homens e Mulheres de amanhã aprenderem que “nenhum homem é uma ilha”.

Não te metas nisso

Junho 5th, 2026

Se calhar foi a frase que a minha Mãe mais me disse ao longo da vida.

“Não te metas nisso. Fica quieto. Não vale a pena. Deixa-te estar sossegado.”

Disse-o muitas vezes. Demasiadas vezes.

Mas, houve uma em particular que me doeu. Quando, todo orgulhoso, anunciei em casa que, juntamente com as Vozes de Esperança, ia organizar um encontro de coros, em Crestuma. Na altura, já tinha todo o planeamento da produção do evento na minha cabeça e no papel. Coros convidados, horários, guião, comunicação, tudo ao pormenor.

E a minha Mãe, a pessoa de quem eu esperava, naquele momento, o maior apoio, deitou-me completamente abaixo.

Um balde de água fria.

Destruiu com duas ou três frases o meu sonho.

Mas, quanto ela mais falava, mais vontade eu tinha. E aconteceu, durante seis anos seguidos.

Era novo. Tinha perto de 30 anos. Estas coisas picavam-me.

Se fosse hoje, teria dito “tens razão, vou antes comer uma peça de fruta” e metia a ideia na gaveta, como meti tantas ideias e sonhos.

Afinal, o Mundo já tem malucos que chegue.

A propósito:

 

“O que eu quero ser quando for grande”

Música de Rui Veloso | Letra de Carlos Tê, do álbum “Mingos e os Samurais”

Andava eu na quarta classeE fiz uma redaçãoSobre o que eu queria serUm dia quando crescesse
Quero ser um marinheiroSulcar o azul do marVaguear de porto em portoAté um dia me cansar
Quero ser um saltimbancoSaber truques e cantigasSer um dos que sobe ao palcoE encanta as raparigas
Assessora chamou-me ao quadroE deixou-me descompostoÓ menino atolambadoQue gracinha de mau gosto
Lá fiz outra redaçãoQuero ser um funcionárioSer zeloso e ter patrãoDeitar cedo e ter horárioHum, ter horário
Ser um barquinho apagadoSem prazer em navegarHumilde e bem-comportadoSem fazer ondas no mar
Assessora bateu palmasE deu-me muitos louvoresApontou-me como exemploE passou-me com 15 valores15 valores

Consultório Divino

Maio 22nd, 2026

A jovem falava ao telemóvel, num misto de entusiasmo e nervosismo. A sua cirurgia tinha corrido bem, não contou a toda a gente para não preocupar ninguém e o médico disse que a recuperação decorria da melhor maneira. “Excelente!” pensei eu. “Ora aqui está uma boa maneira de lidar com um problema de saúde.”

“Agora, no fim de semana, vou a Fátima agradecer a operação ter corrido bem.”

E pronto. Estragou tudo.

“Não… tu devias agradecer ao médico! Estudou anos a fio e, se for um bom profissional, ainda estuda para se manter atualizado. Queimou pestanas, investiu na sua educaçãoe na sua carreira. É a ele que tens que agradecer, miúda! Ora, senta-te aqui.

Repara, tu acreditas que Deus, ou outra entidade divina, tiveram um papel no sucesso clínico da tua intervenção cirúrgica. Vamos usar esta premissa como ponto de partida para as seguintes questões:

1 – Não seria mais simples Deus ter impedido que adoecesses? Ou Deus deixou-te ficar doente para depois ter o sádico prazer de te ver a agradecer?

2 – E quando uma cirurgia corre mal? Onde está Deus? <<Deus está a em todo o lado>>, então, se está em todo o lado, vê a pessoa a quinar na mesa de operações e não faz nada? Hmmm… parece-me que falta aqui um bocadinho de humanismo ao teu Deus, ou então não é tão bondoso como dizem.”

Há dias, alguém me dizia que quando as coisas correm bem o mérito é de Deus, mas quando correm mal a culpa é do médico.

É triste, injusto, mas real.

É certo que há pessoas que precisam de acreditar em alguma coisa, de modo a explicarem o que não compreendem.

Mas será Deus o caminho? Não creio.

“Eu não digo que Deus não existe. O que digo é que não tenho nenhuma evidência de que exista, pelo menos da forma como o descrevem.” (Neil deGrasse Tyson)

Empatia de Chinelo na Mão

Maio 21st, 2026

 

De vez um quando cruzo-me, no Instagram, com vídeos de um pai, psicólogo e auto-denominado “especialista em psicologia do desenvolvimento”, cujo foco é, habitualmente, a Parentalidade Positiva.

É daquele tipo de pessoas que prega o Amor e a Empatia, mas faz os seus vídeos com a cara colada à câmara (algo que me causa uma certa náusea e me obrigaa afastar o ecrã) e num tom acusatório, irónico, carregado de julgamento e condenação a famílias que, por motivos que o próprio desconhece, nem faz esforço para compreender, não seguem os seus ensinamentos.

Não quero pôr em causa o conteúdo, cujo autor defende como assente em conceitos científicos. Confesso que concordo com muitas das suas opiniões. Mas a forma com que transmite a sua mensagem é antagónica aos tais princípios de Amor e Empatia que preconiza.

A proximidade com a câmara faz lembrar aquelas discussões entre jogadores de futebol, que encostam as testas e ficam ali como galos irritados. O cinismo que utiliza, confere-lhe um tom de arrogância e soberba.

Numa das suas mais recentes publicações, destruiu profissionalmente a professora da sua filha, por causa de um recado que escreveu no caderno. Não só aniquilou a professora, como arrasou toda uma classe profissional, chegando a dizer nos comentários “vocês não percebem nada”, dirigindo-se a um professor que, justamente, defendeu a colega.

O Amor e a Empatia são coisas muito bonitas, até ao momento em que a mostarda nos chega ao nariz. Nesse momento passa a ser “mão na anca e chinelo na mão”.

Compromisso

Maio 15th, 2026

 

A Igreja estava cheia. Era o funeral do pai do meu amigo F.

O F.  é um homem de família grande e infinitos relacionamentos. Gosto muito dele, com todas as suas virtudes e defeitos.

Não vem ao caso. Nesse dia, o F., com a sua história de vida, deu-me uma história para a vida.

Compromisso.

A missa do funeral aproximava-se do fim e o F. dirigiu-se ao ambão para o elogio fúnebre ao seu Pai. Nestas alturas as pessoas recordam momentos felizes, o percurso de vida do defunto, mas o F. centrou-se apenas num episódio: o dia em que o seu pai lhe ensinou o significado da palavra Compromisso.

O senhor Z. esteve muitos anos emigrado em França, numa época em que era para lá de complicado os emigrantes virem a Portugal visitar a família, uma vez por ano que fosse.

Numa sexta-feira à tarde, o F. preparava as malas para ir numa excursão de fim de semana a Fátima, com os colegas do Colégio. Calculo que tivesse um papel importante na organização da viagem, dado que sempre teve uma forte participação nas atividades estudantis da escola onde estudou.

F. e a sua mãe preparavam tudo quando alguém surge à porta de casa… era o senhor Z.

O meu amigo já não quis saber de mais nada. Largou as malas e, de imediato, abdicou da excursão e do fim de semana com os amigos.

“Não!” disse-lhe o pai. “Tens um Compromisso com os teus colegas. Tu vais a Fátima.”

Este funeral já foi há uns bons anos. O sr. Z. gostava de me ouvir tocar.

Não sei se fixei todos os detalhes da história (o F. contou-a bastante emocionado) mas guardei o mais importante: a importância de respeitarmos os compromissos que assumimos. Compromissos que podem ser uma farda, um emblema, uma equipa, um clube, uma associação.

E, quem trabalha com crianças e jovens, em instituições culturais ou desportivas, sabe que fazem falta muitos senhores Z. que saibam ensinar aos seus F. o que é Compromisso.

Como dizia o meu amigo D., aqui há dias, ainda bem que o pessoal agora paga.

O Som do Silêncio

Setembro 15th, 2025

 

Não vos vou falar da canção de Simon & Garfunkel, ou da frase do Abrunhosa que diz que “o silêncio é a mais perfeita forma de música”.

Vou-vos falar de como, por vezes, faz bem ir para um canto, longe do ruído e desligar, espreitar o Mundo por cima das lentes dos óculos.

Desligo as vozes dentro da minha cabeça, os lembretes, os emails, as mensagens, a explosão de sons e imagens derramadas permanentemente sobre mim. Liberto espaço no “disco rígido”.

Ao “ouvir e calar” eu prefiro o “nem ouvir”. 

Silêncio.

Leio o chorrilho de disparates que se escrevem nas redes sociais (principalmente agora, em campanha eleitoral, onde todos ralham e ninguém tem razão) e ignoro, deixo a caixa de comentários em branco, deixo-os sozinhos com os seus disparates. Todos. Os disparates e os seus autores. Matem-se uns aos outros. E, se por distração, escrevo um comentário, a seguir, apago-o, porque os haters são mais rápidos que o Lucky Luke

Silêncio.

Não comento futebol, o que implica o silêncio mesmo na hora da vitória do meu clube, ou daquele “roubo de sacristia”. Guardo o ruído para o Estádio. Golo!

Silêncio.

Na máquina de café. Beber mais um gole. “Hmmm, hmmm… exacto. Desculpem, tenho muito que fazer.”

Este silêncio que, por norma, aprendemos a compor com a idade, é uma sinfonia perfeita. Dá-me paz, serenidade e anos de vida.

É, quase sempre, a melhor resposta à imbecilidade e a quem não está disposto a ouvir o outro lado. Aqueles para quem a empatia é apenas uma palavra bonita para as stories.

Para construir o silêncio, não preciso de partituras ou instrumentos. Mas um bom livro ajuda, fones com boa música (e não estou a ser irónico), ou apenas a ternura de uma criança.

Porque o silêncio não é só a ausência de som. É um estado de espírito. Um modo de vida. Um olhar sobranceiro e, até mesmo, arrogante sobre o Mundo. “Sambando na lama de sapato branco.” Ou, como dizia alguém, “subir para o muro e cruzar os braços”. Deixar a terra ruir.

Não é tarefa fácil. Os meus instintos levam-me, frequentemente, a cair na tentação de fazer ruído. Responder, contra-atacar, erguer os braços e cerrar os punhos. “Toma que já vais levar!”

Aqui há uns anos, um dos meus haters favoritos dizia que eu era (sou?) um provocador.

Numa sociedade civilizada, deveria ser simples e banal dizer o que pensamos. Mas na sociedade moderna, por suprema ironia da evolução da espécie humana, o civismo é sinal de fraqueza e ser simpático sinal de fragilidade. Mas, sobre isso, falarei noutro texto.

A espécie humana que povoa a terra em pleno século XXI, gosta mesmo é de barulho. “Sai daí e vamos mas é andar à porrada!”

E todos sabemos quais são as consequências, mas todos continuamos a ceder.

Porque o som do silêncio é tão forte, que poucos o conseguem ouvir.

António Pinheiro

Profissional de marketing, músico e corredor por prazer. Corre na estrada, no monte e de um lado para o outro na vida, atrás e à frente dos filhos.